O peito do pintarrocho

Por Dejovu em

Lenda indígena americana narrada por Flora Cooke

Há muitos e muitos anos, numa região muito fria do extremo Norte, existia apenas um fogo. Um caçador e seu filho tomavam conta de uma fogueira, mantendo-a acesa dia e noite. Sabiam que, se o fogo se apagasse, as pessoas morreriam congeladas e os ursos brancos tomariam conta de todas as terras no Norte.

Certo dia, o caçador ficou doente e o filho precisou fazer todo o trabalho sozinho. Durante muitos dias e muitas noites, ele caçou, cuidou do pai e manteve o fogo aceso.

O urso branco andava sempre por perto, olhando a fogueira. Queria apagá-la mas não se atrevia, pois tinha medo das flechas do caçador. Mas a cada dia o filho do caçador ficava mais cansado e sonolento, e o urso tomava coragem para se aproximar do fogo.

Uma noite o pobre rapaz estava tão cansado que não conseguiu manter os olhos abertos e pegou no sono. O urso veio correndo e pulou com os pés molhados de neve sobre as chamas. Rolou com os pêlos molhados sobre as brasas até elas se apagarem e voltou para a caverna onde morava, no meio das geleiras.

Mas um pequeno pintarroxo que voava ali por perto viu tudo o que o urso fizera. Ficou muito preocupado quando o fogo se apagou, mas era tão pequenino que não pôde fazer nada até o urso sumir de vista. Então deu um mergulho na cinza ainda quente e, com os olhinhos espertos, procurou até encontrar um carvão com um restinho de brasa. Abriu as asas e ficou pacientemente abanando o carvãozinho. Seu peito ficou vermelho como brasa, mas ele não parou de abanar as asas até que o carvão ficou rubro e uma chama surgiu entre as cinzas.

O pintarroxo voou então a todas as cabanas no Norte. Cada vez que ele tocava o chão, a terra ardia e surgia o fogo. Assim, em vez de um fogo só, a terra se iluminou com muitas fogueiras, e os povos do Sul ficavam intrigados com aquela luz avermelhada que viam no céu, para os lados do Norte.

Quando o urso viu as fogueiras, fugiu para as cavernas nas geleiras mais longínquas e rosnou a noite inteira. Era o fim da sua esperança de dominar as terras do Norte.

E até hoje os pais contam aos filhos como foi que o peito do pintarroxo ficou vermelho como brasa.

Do livro: O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral

Autor: William J. Bennett

Categorias: Metáforas

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