O garoto da floresta e o duende

Por Dejovu em

Havia um garoto, cujo nome era Chiquinho, que morava com seus pais em uma floresta no sul do país. Chiquinho e sua família viviam muito bem e se amavam mutuamente; eles eram muito unidos, sempre se preocupavam com a felicidade um do outro e nada abalava aquela vida harmoniosa repleta de muito amor.

No dias quentes, eles costumavam nadar no lago próximo a casa , iam a cachoeiras, faziam piqueniques, colhiam frutas da época e se divertiam da melhor maneira possível. Nos dias frios, eles recolhiam lenha e ficavam em casa próximos a lareira contando estórias, conversando e degustando deliciosos quitutes. Tudo era muito simples, mas sempre havia um sentimento de bondade e amor no ar.

Desde o nascimento de Chiquinho tudo tinha corrido as mil maravilhas e o amor fluía de forma incondicional. Nisso já haviam transcorridos 10 anos e os 3 viviam em um mar de rosas. Até que no 11º ano a mãe ficou grávida e teve uma linda garotinha.

Chiquinho ficou muito enciumado, pois não entendia como o amor, que anteriormente era apenas direcionado para ele, poderia ser compartilhado entre ele e sua irmãzinha. Ele pensava que o amor iria diminuir, pois seria dado a mais uma pessoa, ele não entendia que o amor é algo muito paradoxal que tem a característica de se multiplicar quando é dado ao maior número de pessoas. Devido ao seu ciúme, Chiquinho passou a hostilizar sua irmãzinha e o clima em sua casa começou a ficar pesado. Os 3 passaram a discutir muito e como conseqüência surgiram muitos problemas. O clima na casa estava insuportável, ocorriam brigas freqüentes e ninguém se entendia.

Passado algum tempo nesse clima pesado, a filhinha do casal adoeceu e por mais que os pais tentassem curar a menina nenhum remédio ou erva surtia o efeito desejado. Isso fez com que o desespero aumentasse, e os 3 se deram conta de que a garotinha poderia vir a falecer. Nesse momento Chiquinho se deu conta do quanto tinha sido egoísta e intransigente ao ficar implicando com a irmãzinha e tomou consciência de que ele tinha sido o responsável por todo aquele infortúnio. Após esse insight ele se arrependeu de sua atitude e disse a si mesmo que gostaria muito que sua irmãzinha pudesse viver para poder brincar e desfrutar todas as belas coisas da vida; assim ele também pode se dar conta de que sentia um grande amor por sua irmãzinha.

Chiquinho resolveu sair pela floresta e só voltar quando encontrasse uma poção ou remédio ou alguém que pudesse curar sua irmãzinha. Ele caminhou durante horas e não encontrou nada nem ninguém que pudesse curar sua irmãzinha daquela grave enfermidade. Ele resolveu se sentar por alguns momentos debaixo de uma árvore com intenção de descansar, e ao se sentar começou a chorar. Ele dizia para si mesmo, enquanto chorava: – Se eu encontrar alguém ou algo que possa curar minha irmãzinha, nunca mais a tratarei daquela forma e prometo passar a manifestar todo amor que sinto por ela. Agora eu posso compreender o que meu pai queria dizer quando falava que o amor não diminui ao ser dado, mas sim se multiplica quando é dado ao maior número de pessoas.

Nesse instante tudo ao redor escureceu, o sol desapareceu de repente e começou a chover com grande intensidade. Chiquinho procurou um lugar para se abrigar e avistou a uns 300 metros um foco que parecia ser o de uma fogueira. Mesmo com um pouco de receio, ele resolveu se aproximar e ao se aproximar avistou a figura de um pequeno duende que se aquecia próximo da fogueira. O duende assim que avistou Chiquinho, acenou para que ele se aproximasse e o convidou para entrar na caverna. Ao perceber a bondade estampada no rosto do pequeno duende, Chiquinho resolveu se aproximar, entrar na caverna e se aquecer perto da fogueira.

Eles se apresentaram e conversaram durante um bom tempo, durante a conversa Chiquinho contou ao duende o problema de sua irmãzinha. O pequeno duende que apenas ouvia atentamente o que Chiquinho dizia até aquele momento, esperou ele fazer uma pausa e disse que tinha uma poção mágica que iria curar sua irmãzinha, mas antes ele teria de prometer que iria passar a tratá-la de forma mais atenciosa e amorosa. Nesse instante Chiquinho começou a chorar e soluçando disse ao duende: – Por favor senhor duende, eu prometo tratar minha irmãzinha de forma atenciosa e amorosa , mas me dê essa poção, pois minha família já está desesperada de tanto procurar um remédio ou alguém para curar minha irmãzinha. Já não temos a quem recorrer, tudo parece muito escuro e essa dor tem sido insuportável para nós.

O duende percebeu sinceridade nas palavras de Chiquinho e resolveu dar a ele a poção, mas antes ele disse: – Meu caro amiguinho, eu entendo a sua dor, e sei como as coisas estão escuras na sua vida, por isso vou lhe dar a poção que irá curar sua irmãzinha, mas quero que você entenda a seguinte lição: nenhuma dor dura pra sempre, pois depois da chuva vem o sol. Nesse instante, o duende desapareceu, a poção estava nas mãos de Chiquinho, a chuva cessou e um sol lindo apareceu no céu.

Chiquinho saiu correndo da caverna e levou a poção para a casa o mais depressa que pode. Ao tomar umas duas poções sua irmãzinha ficou boa e a partir desse dia o amor passou a fluir de forma incondicional em sua casa. Ele também passou a compreender que o amor é um dos sentimentos mais paradoxais que existe, pois em vez de diminuir quando dado aos outros, ele tem a característica de se multiplicar quando é dado ao maior número de pessoas.

Autor: Edgard T. Utiama

Categorias: Metáforas

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