Poligamia

Por Dejovu em

Recentemente, recebi vários e-mails pedindo pra falar sobre relacionamentos. Antes de entrar nesse assunto batido, complexo e cabeludo, adianto: não vim aqui apontar os 10 segredos d um relacionamento perfeito, nem comentar que hoje em dia ninguém quer nada sério ou que a busca por princípios estáveis é burrice. Vim aqui dizer que ninguém nos agrada 100%.
Isso mesmo, ninguém mesmo. Nem nossos pais, amigos, filhos. Nem nossos cachorros. Ninguém possui essa capacidade mitológica que acreditamos que o amor possui. Não seria exagero dizer que nem Deus nos agrada completamente. Quantas vezes dizemos “Deus, tinha que acontecer justo comigo?”
Pois bem, se nem Ele consegue, quem conseguirá?
Falei que nem nossos pais, irmãos, cachorros e periquitos têm esse dom, mas nós os amamos igualmente. O problema é exigir isso de alguém que não possui nenhum laço conosco.
Não existe vários tipos de amor, como costumamos pensar. Amor é um só, seja ele destinado a quem for. O que pode variar é a forma que ele se apresenta.
Você pode amar um pouco de alguém e odiar todo o resto e vice-versa. Você ama a paz que Pedro lhe dá e a adrenalina que Matheus proporciona. Vc pode amar as atitudes espontâneas e surpreendentes de Vanessa e amar a presibilidade de Camila.
Sim, vc pode amar duas pessoas ao mesmo tempo, quem foi que disse que não pode?
Há pouco tempo atrás, divórcio não era permitido, mulheres não votavam e clonagem era assunto de ficção científica. A história nos prova que volta e meia temos que reavaliar, repensar sobre coisas que não nos agradam mais e muda-las. Isso também cabe ao conceito de amor.
Tudo bem, realmente podemos amar duas pessoas, mas é justo condicioná-las a isso?
Não, não é justo. A não ser que haja consentimento de todos envolvidos, mas essa maravilha ainda é rara, não podemos contar com ela.
O que podemos contar é que namoros vão além de amor. Eles passam pela doçura da amizade, pela presença da companhia, por aquele silêncio que reconforta. Camaradagem, sexo, lealdade. Amor por si só não nos basta, precisamos de muito mais e talvez nem tanto de um amor tão grande assim. O que realmente precisamos é nos confortar com a felicidade que nos cabe, com os defeitos que nos tornam únicos e com o senso de que ninguém preencherá 100% nossas expectativas, a não ser nós mesmos.

Autor: Luis Dutra

Categorias: Crónicas e Textos

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