O troféu joinha vai para…

Por Dejovu em

Vou direto ao assunto. Fiz tudo como a Dona Clara, a papa-hóstias lá da Igreja mandou. Acendi a vela vermelha que era pra marcar bem a urgência e deixei a carta sob os seus pés. Fiz também meu nobre santo, todas as orações que a rata da sacristia – Dona Clara – mandou. Não deixei faltar nenhuma. Ave Maria, Pai nosso, Creio em Deus e a famosa trezena. Mas não aconteceu nada. NA-DA! Ah, estava pensando, será que se eu tivesse emendado uma trezena na outra, umas treze vezes, teria potencializado o efeito? Sabe como é não sou exímia nesses assuntos de pedidos e orações. Se bem que pelo menos o pagamento da promessa foi gordo. Vai dizer que não foi tentador senhor santo? Mil folhetinhos com sua foto, no seu melhor perfil, espalhados por aí? Ora essa, com um pagamento desses até eu faria milagre. Custava o senhor ter feito uma forcinha? Outra coisa senhor santo casamenteiro, eu não me atrevi a deixá-lo virado para parede, muito menos o afoguei dentro de um copo de água. Com todo respeito… Mas… O senhor por acaso é masoquista? Vai saber né Senhor Casamenteiro, às vezes o senhor gosta… Mas eu pensei bem enquanto fazia o pedido e cheguei à conclusão de que se eu tivesse virado o senhor de ponta cabeça, dentro de um copo com água, ou se tivesse apenas lhe virado para parede, como é que o senhor iria achar o dito cujo? Bem, se foi isso que faltou, não vamos perder tempo, é já que resolvo esse problema. Minha tia disse para tirar o bebê que você carrega no colo, segundo ela é tiro e queda. Confesso que senti pena da criança e não fiz essa maldade também. E agora eu fico pensando, quem sabe o senhor também não agüenta mais segurar o menino no colo e quer se livrar dele por alguns dias? Só pode ser isso. Ou quem sabe, o senhor ignorou meu pedido pelo fato de que não pedi um casamento. É só casamento que vale? Ora essa, santinho… As coisas hoje em dia não são bem assim. Antes de casar tem aquela coisa de ficar, curtir uma balada, sair tomar umas cervejas. Depois começa o tal do namoro e aquela melação toda de “amorzinho” pra cá e “benzinho” pra lá. Ninguém casa de uma hora pra outra meu querido santo. Tem que ter paciência, as coisas hoje andam meio complicadas. Na verdade, estou chegando à conclusão de que o problema aqui é o senhor, que anda meio desinformado. Mas sem rodeios, escrevi essa crônica para oferecer-lhe um presente, já que você não deu a mínima para os folhetinhos com sua foto…
Deixo aqui o troféu joinha para o senhor.
Valeu aí Santo Antonio! Na próxima vez quem sabe eu afogue o senhor!

Autor: Rafaela Debiasi Guesser

Categorias: Crónicas e Textos

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