O homem ideal

Por Dejovu em

A canção Super-Homem foi composta quando Gilberto Gil era hóspede na casa de Caetano Veloso, no Rio. Um dia, Caetano narrou a história do filme Superman, que ele acabara de assistir. Gil viu o filme através da narrativa de Caetano e não conseguiu dormir, impressionado com a imagem do Super-Homem fazendo a terra girar ao contrário em seu movimento de rotação, para voltar o tempo e salvar a namorada que morrera. A canção, composta em uma hora, ao contrário do que muitos pensam, não é apologia ao homossexualismo. Defende a ideia de que homens têm um lado feminino e mulheres têm o masculino.

Lendo esta história, imagino como seria o homem ideal. Talvez ele nem exista, no modelo completo do sonho. A experiência mostra que no calor do momento todos parecem únicos, primeiros e eternos. O mundo ocidental, com a romântica idéia do amor idealizado, é intolerante com a rotina que se segue a todos os começos.

Ele não precisa ser belo , mas deve ser feito ao gosto de nossos sentidos. Não é machista, autoritário, egoísta, controlador, desonesto, indeciso, crítico em excesso ou prepotente. Conhece a diferença entre estar presente e fazer companhia. Companheiro, ajuda a fazer uma faxina na vida, jogando no lixo palavras inúteis como traição, posse, ciúme, controle, perdão, culpa.

Ele tem amigos e vida própria. Relativiza o drama da TPM feminina. Bem humorado, é capaz de rir de si mesmo e de suas convicções, sem sentir-se ameaçado. É responsável, faz asneiras, diz bobagens, conhece o poder revigorante do brincar. Conhecendo nossas fraquezas, nos faz rir, mas não usa o riso contra nós.

Inspira admiração, segurança, cumplicidade e respeito ( tão mais importantes que beleza, poder e riqueza, garotas!). É forte o suficiente para se fazer doce. Inteligência, senso de humor, integridade e alegria de viver são fundamentais. Carinhoso e prático, sabe separar trabalho de lazer. E sobretudo, são imperfeitos, para combinar com nossas inúmeras falhas…

Quem souber de um homem assim que o guarde com carinho, regue e cultive o amor. Se o tédio ameaçar entorpecer, lembre-se que a jóia é preciosa, rara. Guarde silêncio dos atributos do parceiro: o segredo é a alma do negócio… É que a concorrência anda brava!

Autor: Maria Paula Alvim

Categorias: Crónicas e Textos

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