Keep Control

Por Dejovu em

Sim, eu corro atrás. Ninguém tem tanto interesse em querer as coisas como eu. Dou o braço a torcer sim, e daí? Enterrei na adolescência aquele medo de pensarem que estamos correndo como se fosse realmente algo ruim.
Uma coisa é correr, outra é insistir sem resultado. Numa conversa rápida com um amigo, descobri que as pessoas não ligam quando marcam de ligar por medo de pensarem que estão correndo, endo, ndo…
“QUE BESTEIRA !!!”, pensei comigo. Mas ao invés de rodear, vou sintetizar: ñ corremos atrás pra tentar fingir um controle da situação, não mostrar que estamos vulneráveis a alguém.
“Ele que quer? ele que ligue !”. E então nos condenamos a ficar rodenando o telefone, na esperança de um terceiro que ceda e ligue, e o telefone que faça a sua parte.
Lembro que a última vez que fiquei por esperar um telefonema nessa ansiedade foi por uma guria que conheci numa festa de aniversário. Deveria ter 17 anos, e como todo adolescente, segui o modelo: os kras ligam uma vez só e elas que retornem. E se não retornarem, azar o delas, não é?
Bem, azar o nosso, que perdemos uma oportunidade de ter um lance legal em troca de um fingimento absurdo. Dessa história ficou a lição: duas semanas depois, descobri que ela tava namorando, e quando nos encontramos, num outro aniversário, ela me indagou: “pq ñ me ligou?” e eu no piloto-automático disse “Esperei vc retornar…”
Que coisa, não?
Tá, pensem assim: se eu ligo, marco e no dia vc está lá conforme combinado, quem tem o domínio? Eu que liguei e consegui o que quis ou vc que simplesmente acatou o telefonema?

Autor: Luis Dutra

Categorias: Crónicas e Textos

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