47290 Dejo...Vus


   Orkut

   RSS Geral

  Estamos no Hi5

 




O contrário do amor

 

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.
2007/10/01 enviada por WebMaster

Autoria de Martha Medeiros
Mensagens de Crônicas e Textos

Enviar Este Texto

Enviar a alguém

De:  
Nome E-mail
 
Para:  
Nome E-mail
 
Nome E-mail
 
Nome E-mail
 
Nome E-mail
Pretendo registar e-mails de conhecidos na newsletter
Será enviado um link da página deste artigo para o e-mail que indicar como destino.

 

 

Votar

Avalie este artigo

 

 



Nome
E-mail

Este voto só ficará contabilizado depois de fazer clique no link que lhe será enviado já a seguir para o e-mail indicado. Como tal garanta que o seu e-mail está válido e operacional, se não receber o nosso e-mail verifique os seus filtros de SPAM, ou a caixa de Lixo/Trash do seu cliente de e-mail.

 

Comentar Texto

Faça um comentário

Comentário

Nome
E-mail

Este comentário só ficará válido depois de fazer clique no link que lhe será enviado já a seguir para o e-mail indicado. Como tal garanta que o seu e-mail está válido e operacional, se não receber o nosso e-mail verifique os seus filtros de SPAM, ou a caixa de Lixo/Trash do seu cliente de e-mail.

 

Mais do Mesmo