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O canalha mais pulcro que (não) conheci...

 

Pensei em falar de amor hoje. Mas antes de começar a endecha toda quero fazer algumas ponderações. Quando escrevo, não penso apenas em palavras bem colocadas que demonstrem o que estou sentindo. Quando escrevo, não quero desabafar mágoas ou fazer com que as alegrias do meu dia virem uma explosão de humor e alacridade nas crônicas. Escrevo porque me sinto bem assim. Demonstro todos os meus sentimentos, minhas vontades, meus sonhos. Cito. Nada diretamente. Mas nas entrelinhas dos textos, as conquistas, as perdas. Escrever é mágico. É a maneira mais fácil de sentir-se bem. De mostrar-se bem. Posso estar parecendo um tanto quanto egoísta, quando digo que escrevo para o meu bem estar. Para mim. Mas não é exatamente e tão somente isso. Não me interpretem mal. Quero deixar claro, antes de tudo, que escrevo pensando sempre nas sensações que serão causadas em quem as lê. É maravilhoso ler e sentir o que o texto quer passar. É gratificante saber que algo, exclusivamente seu em todos os sentidos, faz outra pessoa se identificar e pensar sobre tudo aquilo que foi escrito. Lembro-me quando li pela primeira vez, o primeiro livro que tive acesso do admirável Érico Veríssimo. Um certo capitão Rodrigo. Um nobre rapaz havia indicado Ana Terra. Infelizmente não o encontrei. Não. Infelizmente não. Graças a isso, pude viver a história do Capitão Rodrigo Cambará. Bem, caros leitores, aqui começa a minha maravilhosa historia de amor. Um amor platônico. Incondicional. Vocês devem estar pensando. “Exagero, loucura...” Não. Vou explicar como tudo aconteceu. E espero que vocês consigam sentir, todas as sensações que senti ao ler o livro. Afinal de contas, ler um livro ou uma simples história não é simplesmente ler. Ler é se envolver. É sentir-se dentro da historia. Vivendo cada momento junto ao personagem. Experimentando todas as emoções. Aproveitando todas as aventuras. Ler é viver a história. E eu, bem... Eu vivi intensamente cada página daquele livro. O romance vivido por Rodrigo Cambará e a doce Bibiana Terra. Foi sem dúvida espetacular. “Buenas e me espalho, nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho”. Começou por aí. Um belo homem. Chega à cidade de Santa Fé a cavalo, chapéu caído na nuca, cabeleira ao vento, violão a tiracolo. Seu olhar parecia estar sempre chamando encrenca. Rodrigo era um apreciador de cartas, cachaça e mulheres. Um homem de espírito livre. Corajoso. Bem-humorado e sem dúvida nenhuma, encantador. Que ao conhecer a bela Bibiana, rendeu-se ao amor. O engraçado é que na época em que se passa a história, as mulheres usavam apenas roupas longas. Como diria um velho amigo meu... “Nada de expor a figura da Medina”. Enfim, o que fisgou o machão, foram as lindas canelas de Bibiana. Que quando ao entrar na charrete, ergueu o vestido, para que não sujasse a barra. Rodrigo é um personagem um tanto quanto multifacetado eu diria. Ora simpático, ora cruel. Érico Veríssimo, realmente tinha o poder de criar personagens cativantes. Agora eu pergunto apenas as leitoras. Não é de se apaixonar? A minha vontade de viver uma história como a do Capitão Rodrigo e Bibiana Terra foi tamanha, que eu comecei a buscar em todo e qualquer canto. Alguém que me fizesse lembrar o charme do Capitão. Estanho, não acham? A leitura desse romance, não nos proporciona apenas todas as emoções vividas pelos personagens. O livro é um mergulho no universo histórico da época. Todas as guerras. Governos. Toda a filosofia. É magnífico. A conduta de Rodrigo era um substrato ético, com uma mistura de bravura, generosidade e claro, fanfarronice. Assim como a personalidade de alguns heróis das epopéias gregas, Rodrigo acredita que só a guerra dá sentido à vida dos homens. Uma cena, que não pode deixar de ser lembrada e que me fez envolver inteiramente com a história, foi um duelo. Travado entre Rodrigo e Bento Amaral. Quanta coragem para um homem só. Deixou sua marca, na “cara suja” daquele ser abjeto. Confesso que minha alegria após a leitura dessa cena foi imensa. Sonhava com aquele duelo desde o primeiro momento em que conheci a figura de Bento Amaral. Apesar de suas canalhices, que não foram poucas. Foi um homem espetacular. Mas não continuarei a citar cenas do livro. E tentarei me controlar para não mais falar do romance. Caso queiram saber o fim dessa linda e envolvente história. Não pensem duas vezes. Leiam o livro. Garanto-lhes que é uma experiência magnífica. Mas antes de findar a história do meu amor platônico. Quero dizer só mais uma coisinha. Coisa rápida. Prometo. Sorte na vida teve Bibiana. Que conseguiu domar e amarrar o charmoso Capitão Rodrigo Cambará. Ah, quem dera eu poder viver a história de Bibiana. Como seria bom, se eu tivesse também o meu Capitão Rodrigo Cambará. Entretanto, esse fascínio pelo Capitão termina aqui. Sim. Assim de “sopetão”. Como todos os outros amores de minha vida. Mas quem está acostumado a ler meus textos, bem sabe que gosto de falar. Porém, irei me calar agora. Já que a minha mais nova história de amor platônico está apenas começando e ainda é cedo para contar-lhes.
2008/06/23 enviada por Rafaela Debiasi Guesser

Autoria de Rafaela Debiasi Guesser
Mensagens de Crônicas e Textos

Comentários a este Texto


Enviado em 2011-10-19 por Ariel Bruscatto
É o primeiro texto que leio deste blog e gostei.
Quando me lembro do Érico me lembro de duas coisas. A primeira é uma figueira enorme no meio de uma praça. A segunda é uma frase que a Bibiana costumava dizer: \"Sempre que me acontece algo important

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